sábado, 11 de outubro de 2014

DICAS DE PINTURA ANTI-INCRUSTANTE

O amigo cmte Sylvestre Santos nos encaminhou essas dicas para pintura anti-incrustante, que com certeza ajudarão muitos navegantes:




DICAS UTEIS PARA UM MELHOR DESEMPENHO DO SEU ANTI-INCRUSTANTE
Anti-incrustante...só em falarmos sobre isso sabemos que a discussão é garantida, pois trata-se de um assunto dos mais debatidos entre proprietários de embarcações, marinheiros, pintores, fabricantes e sem dúvida de muitos curiosos e palpiteiros de plantão. Existem ainda os químicos de plantão também, com fórmulas mágicas e milagrosas!
As informações abaixo, servirão como ferramentas para você gerenciar melhor o seu Sistema AI e principalmente o seu dinheiro, pois com um bom desempenho ele protege sua embarcação e economiza combustível!

DICAS ANTES DA PINTURA:
1) Compre o produto adequado para sua embarcação, pois existem vários tipos de AI específicos para cada situação, ou seja, se a sua atividade for esporte/recreio, não adiantará você utilizar um produto destinado para embarcações de serviço, pois as características de utilização destas embarcações são bem diferentes, uma vez que enquanto uma permanece a maior parte do seu tempo parada em uma marina, a outra está em constante navegação;
2) As quantidades deverão ser compatíveis com o tamanho da embarcação, pois quantidades inferiores as recomendadas pelos Boletins Técnicos dos produtos, ocasionará a formação de cracas antecipadamente. Procure saber quantos metros quadrados de área molhada a sua embarcação tem e verifique qual o rendimento prático do produto escolhido, bem como, a espessura mínima a ser aplicada por demão. Os Fabricantes tradicionais trazem esta fórmula na sua embalagem. Vale a pena conferir.
3) Considere as perdas para cada tipo de aplicação (rolo,pistola,airless), pois podem variar de 15% a 50%, pois, os cuidados dos aplicadores variam muito pelo grau da sua atenção e profissionalismo;
4) Verifique a embalagem e o prazo de validade do produto;
5) NUNCA compre no “mercado paralelo”, pois você estará estimulando um comércio desonesto, onde com certeza, pessoas como você foram prejudicadas! Visite uma Revenda credenciada e exija sua Nota Fiscal;
6) IMPORTANTE: Verifique se o AI está de acordo com a NORMAN-23/DPC, Norma da Autoridade Marítima, que dispõe sobre o “Controle de Sistemas Anti-incrustantes Danosos em Embarcações”, ou seja, os produtos deverão ser livres e isentos de compostos orgânicos de estanho como biocidas ativos. Você estará dentro da legislação em vigor, protegerá o nosso meio ambiente e o seu Profissional contratado, pois tais compostos orgânicos são altamente cancerígenos. O seu Revendedor poderá solicitar ao Fabricante o documento com estas informações e você manterá a bordo para qualquer inspeção da Marinha.

DICAS DURANTE A PINTURA:
1) Leia atentamente as instruções de uso, contidas nas embalagens ou nos Boletins Técnicos dos produtos, antes da sua aplicação, ajudando-o ainda a conversar com o seu Profissional de Pintura sobre os cuidados a serem seguidos durante as etapas da pintura;
2) Contrate Profissionais de Pintura qualificados e com experiências comprovadas no mercado; NÃO contrate aventureiros sabem-tudo;
3) LEMBRE-SE: A pintura de fundo é o último trabalho a ser feito durante uma reforma, construção ou manutenção da embarcação, pois desta forma, você estará evitando contaminação de outros produtos sobre o AI, durante e após a execução da pintura;
4) Pinte em locais arejados e onde não ocorra aplicação de outras tintas sendo pulverizadas;
5) Verifique se a área a ser pintada está limpa, seca, lisa e sem caroços e/ou degraus da última pintura;
6) Utilize rolo de lã de carneiro de “pelo curto”. NUNCA rolo de espuma, pois elas se deterioram rapidamente em contato com os solventes dos produtos, onde pedaços do seu material irão se juntar a tinta;
7) A utilização de equipamentos de segurança (EPI’s),é fundamental para o seu bem estar e saúde, durante a aplicação dos produtos;
8) Misture bem a tinta antes de usar e aguarde por 15 minutos. Para isso utilize uma espátula ou um pedaço de madeira limpas;
9) Na aplicação a rolo, não há necessidade de diluição para a maioria dos produtos;
10) NÃO misture ou adicione qualquer outro produto ou substância líquidas/sólidas (ex.: pó de cobre), pois o desempenho estará comprometido, promovendo possivelmente o desplacamento da tinta aplicada;
11) Não aplique o AI diretamente sobre tintas desconhecidas ou superfícies não preparadas adequadamente com seus respectivos primers. Os Fabricantes tradicionais tem em sua linha de produtos, seladores específicos para estas situações o que garante a perfeita aderência do acabamento AI;
12) NUNCA pinte com chuva ou com a umidade do ar acima de 80%;
13) Aplique o AI uniformemente por toda a embarcação, respeitando-se o intervalo entre as demãos, assegurando-se a perfeita evaporação dos solventes;
14) A aplicação da espessura recomendada pelo Fabricante é imprescindível para o sucesso do sistema e sua durabilidade. Portanto, use TODA a tinta adquirida (proporcional ao tamanho da embarcação), independentemente do número de “passadas de rolo” a serem dadas, pois isso ocasionalmente pode variar de pintor para pintor;
15) DICA ÚTIL: Divida o total de galões por 3 (número de demãos recomendado pelo Fabricante). Exemplo: Total de 6 galões, seriam 2 galões. Cada 2 galões corresponde a uma demão na espessura recomendada pelo Fabricante, independentemente quantas vezes o Profissional vai “passar o rolo”. Na maioria das vezes aplicamos esta demão durante 1 dia. Sendo assim, nos próximos 2 dias já teríamos aplicados o total de 6 galões, correspondendo então as 3 demãos recomendadas pelo Fabricante;
16) Aplique sempre uma demão extra onde existe um maior atrito e turbulência do mar com a embarcação (leme,quilha,linha d’água, bordas e quinas de ataque, proa, popa), pois nestas áreas o desgaste da tinta é bem maior;
17) DICA ÚTIL: Para você ter um acompanhamento do desgaste da tinta, sugerimos (não necessário) que a primeira demão (ou uma parte dela) seja de outra cor;
18) Não lave o convés, não dê polimento no costado, enquanto a embarcação permanecer no pátio durante ou depois da aplicação do AI;
19) Após 12 horas da última demão, a embarcação poderá ser lançada ao mar. Caso não seja possível, evite locais que não possam contaminar a superfície pintada, ou proteja o casco. Confirme a secagem total da tinta, pois durante o manuseio da embarcação (carreta, travelfift etc) a pintura poderá sofrer com estas movimentações de transporte até o mar;
20) IMPORTANTE: Nunca jogue o produto ou a lata vazia na Natureza;

DICAS DEPOIS DA PINTURA:
1) O aparecimento de lama no fundo da embarcação poderá ocorrer com mais intensidade em algumas regiões do nosso Litoral, o que formará uma “capa” sobre a tinta, inibindo assim sua ação protetora. Esta situação se agrava mais rapidamente em embarcações que ficam muito tempo paradas e com pouca navegação;
2) Nunca raspe a lama com espátulas (ferro,madeira, plástico etc), esponjas abrasivas, pois assim você estará removendo não só a lama, mas também a camada de tinta recomendada e acelerará a formação de colônias de cracas;
3) Para a retirada da lama, caso não saia com a navegação, sugerimos a utilização de um pano macio que deverá ser passado suavemente para não haver o contato com a tinta e provocando o seu desgaste;
4) Se ocorrer incrustações antes do prazo estimado, NUNCA retire as cracas antes da visita de um Técnico do Fabricante, para avaliar a situação, que deverá ser contatado através da Revenda e/ou Fábrica. Esta medida o ajudará a protegê-lo, juntamente com a apresentação da sua Nota Fiscal da compra dos produtos;
5) Cuidado com os locais onde há grande concentração de óleo combustível ou outros produtos químicos sobre a água do mar, pois estes produtos ficam aderidos sobre a tinta e provocam contaminações prejudicando o sistema. A linha d’água da embarcação fica seriamente comprometida;
6) Caso haja necessidade de se docar a embarcação antes da próxima pintura, procure não permanecer fora d’água por um longo período de tempo, pois poderá haver o ressecamento e trincamento da tinta e esta perderá gradativamente sua propriedades químicas, que foram formuladas para permanecerem dentro do mar;
Acreditamos que estas Dicas aliadas a escolha de bons Profissionais de Pintura e Fabricantes de Tintas sérios e competentes, com Assistência Técnica e Laboratórios específicos, farão com que seu sistema anti-incrustante seja um sucesso!
Sylvestre Santos F.

Veja também:

http://www.nautica.com.br/bichinhos-infernais/

Foto extraída do site da Náutica (link acima).

Bons Ventos!






Sylvestre Santos F.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

CÁLCULO DE POSIÇÃO ASTRONÔMICA A BORDO DO TRANQUILIDADE - PMD DO SOL



Na travessia de Salvador a Recife a bordo do Tranquilidade tive a oportunidade de praticar um pouco a navegação astronômica, não o tanto quanto pretendia pois a faina era grande durante a viagem, então acabei deixando o sextante de lado em alguns momentos propícios para observação dos astros. Mas, consegui muita coisa e vou apresentar alguns cálculos que fiz comparando os resultados com o GPS. Levei o sextante de plástico Mark III, o mais simples da categoria, mas que ofereceu bons resultados. Esse sextante é bem simples, leve, fácil de levar numa mochila, é um ótimo safa onça, como diria o saudoso cmte Geraldo Miranda.
Vamos aos cálculos!

DATA – 02/09/2014
HORA LEGAL DA OBSERVAÇÃO  –> 11:30:05
LAT. ESTIMADA    –> 12°10’ S
LONG. ESTIMADA –>  037°30’ W
HML.PMD –>  12:00 (hora média local retirada da página diária do almanaque náutico)
HMG.PMD –> 14h30m (considerando fuso 3)
HL.PMD –>  11h30m (HMG – FUSO)
ERRO INSTRUMENTAL = +1’
Altura do olho = 3m (correção  = - 3’)

Aplicando as correções da altura do Sol, teremos:
Ai = 69°28’  (altura instrumental)
Ao = 69°29’ (altura observada = altura instrumental + erro instrumental)
Aap = 69°26’(altura aparente = altura observada – depressão)
Av = 69°41’  (altura verdadeira = altura aparente + correções)

Distância zenital = 90° - Av = 20°19’
Transformando a hora legal da observação (11:30:05) em HMG, entramos no Almanaque náutico para calcular o AHG e a DECLINAÇÃO para 14:30:05, então teremos como resultado:
AHG = 37°36’
DEC = 7°48’ norte

Temos latitude sul e declinação norte. Nesse caso, a latitude meridiana será igual a distância zenital menos a declinação.

LAT. PMD = 20°19’ – 7°48’ = 12°21’S

Para cálculo da longitude temos que lembrar que no momento da passagem meridiana o AHL do Sol (ângulo horário local) é zero. Sendo assim:

AHG = AHL + LONG. W
AHG = LONG. W

Logo, a longitude = 037°36’W


Quadro comparativo:

LATITUDE
LONGITUDE
POSIÇÃO ESTIMADA
12°10’S
037°30’W
POSIÇÃO PELA PMD
12°21’S
037°36’W
POSIÇÃO NO GPS
12°16,90’S
037°34,38’W
 

LEIA TAMBÉM:

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

TRAVESSIA SALVADOR/RECIFE A BORDO DO TRANQUILIDADE - PARTE 2 (FINAL)





A Rota e o vento Nordestão
A bordo o que não faltavam eram GPS com rotas plotadas. Seguimos a rota sugerida pelo amigo Nelson do Avoante, saindo do Salvador costeando até o farol de Itapoã e abrindo um pouco mais. Mas, o que não esperávamos era um vento nordestão, de cara, complicando a navegação à vela, então motoramos um bom tempo pra içarmos as velas mais adiante. Pelo o que consta nas cartas piloto da Marinha, deveríamos pegar ventos leste ou sueste para essa época, mas o tempo é quem manda, e resolveu mandar o nordestão na proa. Quando estávamos já na altura da costa de Sergipe, o vento ficou mais ENE (lés-nordeste), aí içamos as velas. Demos um bordo pra dentro do Mar na altura do Velho Chico, abrindo umas 25 milhas da costa, mas deu negativo, e quase voltamos pra boca do Velho Chico.
 Chegando na altura da costa de Alagoas, conseguimos botar o balão, belíssimo parasail, conhecido como “sutiã” pela tripulação. Mas as lufadas de vento não deixaram o balão trabalhar como devia e não o usamos por muito tempo. Botamos a grande com a trinqueta e a genoa, e depois vimos que a trinqueta não tava ajudando muito, e fomos somente com grande e genoa. Quando chegamos próximo a Recife na madrugada do dia 06/09 o vento já tava bem na alheta e pegamos vento de 27 nós com chuva. Fomos só na grande surfando nas ondas. E aproveitei para tomar um banho de chuva na proa, num frio lascado, mas era a despedida...
Próximo ao banco do inglês arriamos a grande e adentramos no canal do porto do Recife motorando já na barra do dia, debaixo de chuva e frio...E foi batendo uma tristeza de chegar ao destino, pois o Mar ficara pra trás... 

A faina a bordo
Içar, rizar, arriar, corre pra lá e pra cá, essa era a rotina. E, em meio a isso tudo, contemplar o Mar. Um barco desse porte dá bastante trabalho pra marujada, ainda mais quando aparecem uns probleminhas como o carrinho da genoa de boreste que estourou, a testa da grande que enroscava na hora de içar, o rizo que travava. E nessas horas, o comandante vendo aquilo tudo gritava de lá: “olha pra mim, porra!”...kkkk
Os turnos
Estávamos em sete. Liberamos o comandante dos turnos, mas na verdade ele era o cara que fazia plantão 24 horas, pois se desse qualquer problema, era acionado. Então dividimos os turnos de 2 em 2 horas, tendo sempre dois tripulantes a postos. Mas, nem sempre fizemos os turnos com a pontualidade britânica. Meu turno geralmente começava às 02 horas da madrugada, deveria ir até às 04. Mas, como o Sol já iria nascer dentro de pouco tempo, eu já emendava para poder curtir a Alvorada.
O marinheiro revelação
Artur, tem nome de rei, e se tornou um rei dos mares nessa viagem inaugural. Nunca havia velejado no Mar, e tava com medo de marear. Mas provou que marear é pros fracos, quem é do mar não enjoa (pelo menos é o que diz a canção). Bom, sabemos que não é bem assim, o enjôo pode pegar até os velhos lobos do Mar, depende da situação do organismo. Mas, Artur se mostrou ser um marujo valente, disposto e versátil, e mereceu um troféu do comandante, uma bela camisa do Tranquilidade.

Baleias e Golfinhos
Toda hora chegavam feito meninos brincando na proa. Eram os golfinhos, que vinham dando piruetas de longe, e ficavam brincando ali na proa por vários minutos e iam embora. Deviam estar zombando de nossas caras, pois ficávamos como meninos empolgados ao vê-los chegando.
As Jubartes também deram sinal de vida, eram muitas, não vieram próximo ao barco, deviam estar com pressa de ir pra Abrolhos.

Mergulho na imensidão azul
Na carta estava lá marcada a profundidade de 2720 metros. E, foi ali mesmo que decidimos dar uns mergulhos para refrescar e nadar com os golfinhos. Mas, eles não estavam querendo aproximação e se mandaram. A sensação de estar nadando em águas tão profundas é uma mistura de contentamento com desconfiança. E se viesse um tubarão das profundezas?!!! 

A gastronomia
Fartura. O comandante preparava todo dia um café da manhã de lascar: cuscuz com leite, ovos fritos, pães, tapioca, macaxeira, nhame, presunto, queijo coalho assado, banana frita, café, leite, sucos, abacaxi. Era coisa demais, e ele dizia: “comam, que é pra dar conta da faina”.
No almoço, que saía bem mais tarde, às vezes quase à noite, era o mesmo capricho: feijoada, risoto, macarrão, pizzas, lombo ao molho barbecue e costelas, peixe e por aí vai.....DEZ!

O sextante

Levei uma mochila com sextante, tábuas de navegação, almanaque náutico, compasso, e demais parafernálias para praticar a navegação astronômica. Como a faina era constante, não tive tempo para fazer todos os cálculos a bordo em todas as visadas que fiz. Mas, obtive um resultado muito bom na passagem meridiana do Sol com diferença de apenas 4 milhas de latitude em relação ao GPS. Fiz várias visadas do Sol, da Lua e das estrelas. Vou apresentar os resultados em outros textos aqui no blog.
 
A chegada
Chegamos na entrada do Porto do Recife na madrugada do dia 06/09/14 debaixo de chuva e frio. Ficamos um tempo procurando as bóias de sinalização do banco do inglês e da entrada do canal, pois as luzes se misturam com as da cidade. Mas, chegando mais perto tudo se resolve. Entramos no canal do Porto na vazante, mas o Tranquilidade cala bem, sem problemas.  Chegamos ao Cabanga, e já era hora de partir, se despedir do barco e dos amigos, e principalmente do Mar, que nos acolheu tão amistosamente. E era hora de voltar pra Terra, botar os pés no chão.
Quando cheguei em Brasília, demorei pra voltar do Mar. No dia seguinte, acordei e senti uma profunda saudade daquela imensidão azul, que por poucos dias havia se tornado minha morada e meu chão.